sábado, 18 de setembro de 2010




Na imensidão de uma cama
Uma melodia suave
Uma melancolia que invade
A bela e seminua dama

Consumida pelos lamentos
De seu querer que está distante
Não enxerga nem sente seu amante
Só é tocada pela ousadia dos ventos

Sozinha, mas não abandonada
Extasia-se dentro da ilusão
De um dia, seja inverno ou verão
Encontrar-se com seu amor abraçada

Desfrutar de afagos demorados
Ouvir declarações de amor
Beijar e beijar sem pudor
Sentir o sabor tão desejado

E assim, ao eclodir da madrugada
Imersa em seus pensamentos delirantes
Adiando seus desejos mais gritantes
A moça dorme em seus sonhos debruçada

O silêncio da alma





Sublime silêncio...

que repara os erros,
que enxuga as lágrimas,
que apara arestas,
que fecha ferida
que induz ao raciocínio,
e abre as portas
antes trancadas
pela escuridão da ignorância,
permitindo a entrada da luz,
e o despertar da confiança.

Silêncio

Que desativa todos os sentidos,
e querendo falar, não se fala.
e querendo ouvir, não se ouve.
e querendo ver, não se vê.
e querendo tocar, não se toca.
e querendo aspirar, não aspira,
não respira, não se sente,
apenas pressente,
todo o desejo latente e perdido,
de um coração triste e reprimido.


Silêncio

para que todo o pensamento flua,
e reconhecendo cada erro, cada falha,
a alma arrependida, se destila e depura,
concebendo o dom do perdão e da graça.

Silêncio

para que se faça tangível a razão,
reconhecendo os jardins dos desamores,
mas transformando-os em jardins de flores,
no templo puro e cristalino do coração.

Silêncio

para que todas as ofensas desapareçam,
todas as dúvidas em confiança se convertam,
e as esperanças perdidas sejam recuperadas,
na certeza de uma alegria docemente renovada.

Silêncio

para que eu me lembre de ti,
de cada momento,
de cada sentimento,
de cada beijo tímido,
que foram dados às escondidas,
mas que nada devem ao pudor,
e que nada devem à dor ou mesmo aos desatinos,
das nossas almas separadas por um curto destino.

Silêncio

para que vendo uma rosa vermelha
eu me lembre do teu coração cheio de Amor.

para que vendo a Lua cheia e luminosa,
eu me lembre da ternura viva dos teus olhos.

para que vendo o Oceano em repouso,
eu me lembre a suavidade e a doçura da tua Paz.

Para que vendo o manto suave das nuvens,
eu recorde a tua pele macia e sedosa.

Para que vendo o nascer do Sol,
eu me lembre do esplendor do teu Sorriso,

E quando sentir em minha volta o milagre da vida,
eu possa recordar que me fizeste sentir igual
quando nos seus braços, revivi no calor do teu Amor.


Silêncio

Para que recordando cada toque de tua pele
ainda sinta o perfume do teu corpo.
para que recordando do calor dos teus lábios,
ainda sinta o toque quente e húmido nos meus.
para que recordando cada diálogo contigo
ainda sinta a vibração amorosa da tua voz.
para que recordando cada lugar que juntos caminhamos,
ainda sinta a energia de tuas mãos, apertando as minhas.

Silêncio

Este silêncio
que devora cada dia, cada hora,
cada minuto e cada segundo,
de uma forma lenta, triste, inconsolável.
E aos olhos atentos do mundo,
a dor e a solidão não serão notadas,
a minha alma vertendo-se em lágrimas,
de uma saudade incontrolável,
recordará a tua doce existência
como um Sol brilhando em minha alma.

CRISE


Talvez eu tenha mesmo que viver sozinha. Seria mais fácil para o resto do mundo, para mim... não faço idéia do que seria. Eu poderia ficar louca, ou poderia finalmente encontrar minha sanidade. Poderia me desesperar e fugir ou simplesmente me encontrar perdida em cada recanto.

É ilusão acreditar que sei compartilhar. Sinto que nunca me dou inteiramente, que sempre guardo uma parte de mim, só pra mim.

Eu quero correr! Correr para fora de mim e quem sabe assim me enxergar plenamente. Ou eu deva apenas fechar os olhos por algum tempo e esperar que as respostas venham de dentro.

Preciso ficar sozinha! E não sei por quanto tempo.
Não consigo ficar sozinha... Parece tão simples! Tão óbvio! Mas não consigo! Quero fugir de mim!

Eu estou sozinha?... Eu me sinto sozinha (AGORA), completamente sozinha, perdida no meu mundo, perdida nas minhas idéias e conclusões inacabadas! E se eu fechar os olhos? Tenho vontade de chorar... Tenho raiva de mim agora! A única certeza é de que eu DEVERIA estar sozinha...

Como poderiam me amar se soubessem que sou assim? Ou continuar me amando?! Como eu mesma posso me amar?! É como se eu não tivesse um eixo, um ponto de equilíbrio. Como se houvesse sempre uma parte inconstante impedindo uma rota não variável!

Na Ausência do Amante


Na imensidão de uma cama
Uma melodia suave
Uma melancolia que invade
A bela e seminua dama

Consumida pelos lamentos
De seu querer que está distante
Não enxerga nem sente seu amante
Só é tocada pela ousadia dos ventos

Sozinha, mas não abandonada
Extasia-se dentro da ilusão
De um dia, seja inverno ou verão
Encontrar-se com seu amor abraçada

Desfrutar de afagos demorados
Ouvir declarações de amor
Beijar e beijar sem pudor
Sentir o sabor tão desejado

E assim, ao eclodir da madrugada
Imersa em seus pensamentos delirantes
Adiando seus desejos mais gritantes
A moça dorme em seus sonhos debruçada

Sábado a Noite




Ar puro... aqui respiro paz
O vento balançando meus cabelos
O sol dourando minha pele
A maresia eriçando meu pêlos
Aqui eu me perco no tempo
Não pela infinidade do horizonte
Me perco em meus pensamentos
Que me levam pra muito longe
A verdade me procura
Me encontra, me espanca, me guia
Faz-me tranformar meus sentidos
Em confissão, em poesia
Meu corpo é tomado pelas águas
Finto o pôr-do-sol com tristeza no olhar
Me sinto leve, eu e minhas mágoas
Minhas lágrimas se confundem com o mar
Te imagino ali, ao meu lado
Me vendo, ouvindo meus lamentos
Entendendo meu rosto molhado
Me salvando do desespero do tempo
Atento as minhas palavras
Aos meus pedidos de desculpas
À angústia que me corrói por dentro
Ao sofrimento do peso da culpa
Lendo através do meu silêncio
O que não consigo pronunciar
Percebendo a gravidade do incêndio
Que faz o meu coração queimar
Salvando-me, não da água
Não é ela que me faz afogar
Salvando-me do medo
Que insiste de mim te tomar
Livrando-me da amargura
De ver você se destanciar
De ter tua presença ausente
De contigo não poder mais sonhar
De perder toda inspiração
De não mais viver e sim vagar
De me entregar a qualquer canção
E enfim... esquecer de respirar...